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certa feita o lobo mau

as cores castanhas os dentes firmes

a lua branca sobre as nossas cabeças

meu vestidinho vermelho

mamãe costurou para que eu não fosse nua

levar esses doces sozinha.

mas o lobo era mau e castanho

os dentes cheios

morava entre as árvores

quando a lua firme sobre as nossas cabeças

Trecho de poema do livro Finais Felizes
Azulejo Press, 2025

Finais Felizes

Azulejo Press, 2025

E se o lobo e a Chapeuzinho se encontrassem na floresta e vivessem um encontro que em vez de medo e perigo resultasse em prazer e paixão?

​

Há já uma tradição poética em resgatar contos de fadas, fábulas ou lendas para escrever poemas com uma batida contemporânea, mas me parece que há aqui uma volta interessante no parafuso: erotizar, com um foco de lupa, as personagens femininas, como a madrasta da Branca de Neve, que busca resgatar seu próprio prazer; e a Sininho, que deseja um amor maduro.

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São saídas criativas aos papéis rígidos do tempo, vindicações para a riqueza dos desejos que talvez já estivessem lá, debaixo de tantos sapatinhos, reflexos, capuzes e cabeleiras.

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Gatos falando alemão

Isto Edições, 2024

Gatos falando alemão revela os temas cotidianos através das lentes de uma das autoras mais ativas na poesia brasileira contemporânea.

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Em sua poesia viva, desejos, traumas adultos e de infância, a arquitetura de casas passadas, o tempo, amores que tropeçam, outros que seguem em frente estão presentes nos textos.

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A vida e a morte, o gozo e ausência de prazer também surgem pelos versos que estão distribuídos nestes 51 poemas “translúcidos” que “atraem como uma aurora boreal”, segundo a escritora Martha Medeiros na quarta capa da edição.

se eu pudesse dar outro nome a algumas coisas

chamar de fogo algo frio

dizer jardim me referindo a uma coisa solitária

falar em amor sentindo o oposto

- o que seria aqui neste poema o oposto do amor -

enlouquecendo a língua portuguesa

e a mesma que invade a minha boca num beijo

que não gosto

e dizer que gosto

Poema do livro Gatos falando alemão
Isto Edições, 2024

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As línguas são para outras coisas

Editora Taverna, 2022

As línguas são para outras coisas é um livro que trata de diversas questões existenciais femininas. Há um olhar lúcido sobre o fato de estarmos no mundo, com ênfase na sexualidade, na maternidade, na infância, no corpo que envelhece a cada instante.

 

As paixões, os amores inevitáveis, as traições sob uma ótica natural, estão em muitos versos deste livro. Mas, por vezes não sabemos o gênero da voz lírica: ora masculina, ora feminina, a poesia de Claudia apenas aponta para a verdades do mundo, seus corpos e desejos.

 

A orelha do livro foi escrita pela cantora e compositora Marina Lima e obra da capa é da artista Ana Julia Vilela.

quando te olho por entre os seios
não distingo a tua barba dos meus pubianos

a boca sugando faminta pelo meu
orgasmo língua determinada
o ritmo oposto a algum barulho de obra

​

a construção de tudo o que temos

é muito mais alta que o som de um guindaste em ação

Poema do livro As línguas são para outras coisas,
editora Taverna, 2022

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As partes nuas

Editora Francisco Alves, 2021

Em seu segundo livro de poesia, As Partes Nuas, a autora se mostra por inteiro, em textos onde se revela mãe, mulher e ser humano, que sente, que pulsa. Um “livro-corpo”, como define o poeta português José Luís Peixoto na apresentação do livro. Um corpo muito bem desenhado, com design de Rico Lins e a obra “Nuvem para meia altura” do artista plástico José Bechara, na capa e pontuando os sete capítulos da publicação. E cada divisão é aberta com versos de poemas que não entraram, amarrando o projeto como um todo.

faça-me perguntas
mas não me interrogue
nunca gostei daqueles paus
de arara
a tortura de ter que dar a resposta esperada

abrir as pernas em dias que não

​

nada vou dizer-te se contra
a parede me colocares
senão para me comer às pressas
mas só quando as pernas quiserem-se

abertas.

​Poema do livro As partes nuas,

editora Francisco Alves, 2021

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Leia-me toda

Editora Dublinense, 2010

Um livro de poesia pode ser a reunião da produção literária de um determinado período. No caso de Claudia Schroeder, Leia-me toda ultrapassa essa classificação: representa o estado de espírito da autora, trazendo observações, sentimentos, relacionamentos e traduções do seu pensar, sentir e lembrar. Uma poesia sensual e confessional, que conta histórias alheias ou de sua própria vida, embaladas pelo som da boemia e das canções sobre ter prazer, amar e sofrer de amor.

Eu queria que você aceitasse a minha mão
mesmo com a pele fina
a unha descascada da louça mal lavada
as manchas do tempo do sol
as veias azuladas sobre o tom louro
dos pelos mínimos.
Eu queria que você aceitasse a minha mão
mesmo que fosse somente
para atravessar o meu medo de rua.

poema do livro Leia-me Toda,

editora Dublinense, 2010

©2021 Claudia Schroeder. Todos os direitos reservados.

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